terça-feira, 10 de março de 2009

Quase lá...

Faltam quatro entrevistas para o fechamento do livro.

Está semana serão duas bem especiais.

Vamos fazer o possível e o impossível para lançarmos o livro até o dia mundial do Rock (13/07).

Aceitamos patrocínio, editora, diagramadores, tudo!!!

Obs.: O livro estará sem a reforma ortográfica...hehehehe

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Voltando...

Hey Rockers
Obrigado pelos coments. Estou finalizando a minha pesquisa. Em breve teremos novidades.

Aguardem.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Qual é a capa ideal para o livro?

Dê sua opinião.

Quem merece a capa do livro "Rock Santista - 1960-2000"? Garage Fuzz? Charlie Brown Jr? Harry? Blow Up? Deixem suas opiniões nos comentários.
Obrigado.

terça-feira, 13 de março de 2007

Personagem – Alexandre Macia Serrano (Pepinho)

Uma vez por semana pretendo apresentar algum personagem importante da história do rock santista. O estreante é Alexandre Serrano Macia, o Pepinho. Uma das principais figuras dos anos 80, ele foi de tudo um pouco: comerciante, produtor de show, DJ, proprietário do selo M Rock Recs e locutor do programa Hard ‘n’ Heavy, na 95 FM. Atualmente, com 41 anos, trabalha como técnico de futebol. Já dirigiu times do Catar, interior de São Paulo e a Portuguesa Santista. Abaixo ele fala um pouco sobre sua trajetória na Cidade.

O início
Era terrivelmente difícil você encontrar um espaço para curtir a música que você gostava. No início dos anos 80, alguns clubes, como o Caiçara, o Sirio e o Vasco, faziam bailes normais com duas seleções de rock. Foi muito difícil, mas as coisas aconteceram, mesmo sem internet e CD. As informações e álbuns demoravam de seis meses a um ano para chegar aqui. O lance era correr atrás.

Influência no rock santista
Eu tive a loja por 12 anos, os primeiros quatro no Shopping Embaré, depois me mudei pra Rua Tolentino Filgueiras, no Gonzaga.

Estava presente em muitas coisas que aconteceram aqui em Santos. Os bailes, a loja, as excursões, os shows nacionais e internacionais em Santos. Eu trouxe o Viper, Angra, Ratos de Porão, Korzus e Sepultura. Depois virei produtor e na levada montei um selo, o M Rock Records, nome da loja, lancei três bandas, duas de Santos: Mr Green e o Last Joker.

Eu trouxe 13 shows internacionais a Santos. O primeiro foi o Shelter no Cadillac Café, depois o King Diamond e o Mercyful Fate, no Inter. Na London London levei o Gama Ray, Biohazard, Napalm Death e Exodus. Nos anos 90 fiz alguns shows de bandas gringas de hard core.

Daí pintou a rádio no inicio dos anos 90, fiz cinco anos na 95 FM e um na 98 FM. Foi muito legal, me diverti muito e não ganhava nada. O que ganhava era o retorno de um lançamento que eu colocava na rádio, com a certeza que no dia seguinte o cara ia à loja. O nosso perfil na Metal Rock era 90% hard rock e heavy metal.


Rádio
Em 1989 fiz amizade com o Sinezio Bernardo, o Cleber Celino e o Nicola Tanesi, e aos poucos eu estava dentro da rádio dando palpite nas músicas. Um dia conversando com o Cleber surgiu a idéia do programa (Hard ‘n’ Heavy).

Lançamos o Hard ‘n’ Heavy inicialmente aos domingos das 10 às 14 horas. Sempre rolava uma hora de especial de alguma banda. Na seqüência eu pedi para mudarmos o horário. Ai alteramos para sexta-feira, das 20 às 22 horas, e a audiência triplicou. O número de ligações era incrível, sempre fazíamos uma promoção legal com os ouvintes.

O Hard´n´Heavy era eu e o Johnny, no primeiro dois anos a gente brincava. Eu dizia “oi Hard” e ele “oi Heavy”, isso pegou para caramba na época.

No auge do programa o Claudio Mussi, dono da 98, foi na loja e me convidou para fazer o programa lá. Fiquei um ano na emissora. A audiência continuou forte. Um pouco menos que a 95, mas a programação era incomparável.

Alguns meses depois o Cláudio lançou a TV Litoral. Fiz três programas. Isso aconteceu na época do M2000 Festival. Todos os convidados do M2000 Festival falaram na TV e no rádio.

Metal Rock
A loja foi inaugurada em 1984, no Shopping Embaré. Dois meses depois o André Fiori abriu a London. Em 10 meses o Toninho veio com a Kissom. No começo não vi com bons olhos, mas depois percebi que era melhor centralizar o público. Um ano depois contratei o primeiro funcionário, o Blackmore, que continua até hoje como vendedor em uma loja de disco, na Galeria do Rock.

Era terrível na época comprar material, então eu ia para São Paulo uma vez por semana para trazer material. 99% do material que eu trazia eram da minha coleção, hoje tenho 12 mil discos, entre vinil e CD. Mas, eu trazia os discos e gravava para o pessoal, também.

Eu ganhava uma grana legal. O sábado lá era lotado. Eu sai do Embaré porque a loja cresceu muito, daí pensei em ampliar, e fui para o Gonzaga. Isso aconteceu entre 1988 e 1989. Um ano depois as outras duas lojas do Shopping fecharam.

Os primeiros anos no Gonzaga foram maravilhosos. Em seguida o César Di Giacomo e o Panda abriram a Amsterdã. Depois eles mudaram o nome para Blaster e venderam para o Rafa. A estrutura da Metal Rock aumentou, e usei a sobreloja da casa para guardar os vinis.

Mas a rivalidade com a Blaster sempre foi sadia. Teve uma situação muito pitoresca de um garoto que roubava discos na minha loja e levava para o Rafa comprar e vice versa. Um certo dia o Rafa se ligou e me avisou. Aí vimos que estávamos comprando um o disco do outro e montamos uma tocaia. O Rafa o pegou e o trancou dentro da Blaster. Foi na minha loja me buscar. Aí fomos à casa do moleque e pegamos tudo que tinha nosso por lá.

O pessoal consumia muito também os acessórios das bandas: camisetas, pôsteres, bonés, bermudas e quadros. Como a sobreloja era muito grande, em 1992 o Uruka (do Vulcano) ficou com uma parte para ele montar o estúdio de tatuagem em Santos.

Eu cheguei a abrir uma filial em Cubatão que só durou um ano, era um box no Casqueiro. Em Cubatão tem muita gente que curte som, mas lá não teve retorno, porque eles gostavam de vir para Santos curtir a Metal Rock, a Blaster e o próprio Gonzaga.

Excursões
O André Fiori fez a excursão para o show do Van Halen, em 1983, depois de um ano eu fiz a do Kiss, aí virou uma coisa normal. Todo show eu levava no mínimo dois ônibus. Era muito legal ver centenas de pessoas na porta da loja indo para o ônibus. Depois de dezenas de excursões o Flavio Hopp começou a me ajudar e hoje ele é quem faz as excursões aqui.

Na primeira vez que o Red Hot Chilli Peppers veio para o Brasil, um dos ônibus parou. A policia deu uma geral e encontrou substâncias ilegais. E o que eu podia fazer? Nada! Mas eu achei incrível que as 48 pessoas que estavam no ônibus acabaram indo no show, arrumaram um jeito de pegar ônibus na estrada, táxi e chegaram.

O Selo M Rock Records
Quando comecei a trazer os shows para Santos, me aproximei das bandas da região. Fiquei muito próximo do pessoal do Mr Green, e lancei o CD dos caras. Depois da região eu só produzi o Last Joker. A vendagem foi muito boa. O Mr Green vendeu tudo que eu fiz. O Last Joker vendeu um pouco menos. O problema foi que eles entraram com um hard rock, na linha do White Snake, na época do Nirvana e Pearl Jam, se tivessem lançado o disco na década de 80 teriam estourado. O selo parou por causa da mudança do vinil para o CD e eu não me adaptei por causa do preço de produção dos CDs.

São Vicente x Santos
Dependendo do que você escutasse você era considerado Playboy. A turma de São Vicente era mais heavy metal que a de Santos.

O baile de São Vicente era mais Heavy Metal que o de Santos. E realmente o pessoal de São Vicente era mais unido e corriam mais atrás das novidades. O povo de Santos não era tão unido. Era raro, mas, às vezes surgia um quebra-pau. Mas quando abri a loja, estes conflitos sumiram.
No começo dos anos 80 era muito legal. Você saia na rua de cabelo comprido e alguém já gritava: “Olha o Johnn Lennon”. Na época era um radicalismo total. Se não gostava de Heavy Metal era Playboy.

A Entrada no futebol
Eu sempre respirei futebol por causa do Pepe, meu pai. (Pepe foi o maior artilheiro do Santos, depois do Pelé. Marcou 405 gols). Depois ele virou treinador e eu acompanhei o dia-a-dia dele no mundo todo. Quando ele começou, em 1973, eu era muito novo. Quando eu completei 14 anos, eu comecei a jogar no Santos, fiquei lá por cinco anos. Eles achavam que eu tinha que ser ponta esquerda, mas eu sempre tive problema de peso e eu não conseguia dar tanta velocidade e por este motivo eu não joguei profissionalmente. Daí veio a época do Rock e eu me afastei um pouco, mesmo respirando futebol. Em 1998 fiz um curso pra treinador. Meu pai me apoiou pra caramba.

Até hoje eu já fiz cinco cursos de treinador e adoro trabalhar com futebol. Comecei a carreira no Internacional de Limeira. Passei por Leme e Araraquara. Depois fui trabalhar com o meu pai na Portuguesa Santista. Fizemos um campeonato animal, ficamos em terceiro no Paulista, ganhamos do Santos e empatamos com o São Paulo no Morumbi, o nosso goleiro pegou dois pênaltis, foi 1 a 1. De lá para cá trabalhei com ele no Guarani e no Catar. Quando eu voltei para o Brasil, trabalhei no São Vicente.

sábado, 10 de março de 2007

VÍDEOS - 2

Carnal Desire no Programa do Jô - Rede Globo

http://www.youtube.com/watch?v=xcdsnkYz2j4


Vulcano - Witches Sabbath no Hammer Rock Bar

http://www.youtube.com/watch?v=DqfO9fwJcgs

quinta-feira, 8 de março de 2007

Assim eram as bocas

Texto: Bardhal / Lucas Krempel

Dezembro de 1969

Quando desceu do Volkswagen verde do Mário Serra, crooner da banda Paralelo 23, o baixista Bardhal não poderia imaginar que uma surpresa chocante o aguardava em sua primeira incursão às famosas Bocas do Porto de Santos: um corpo encontrava-se no chão de paralelepípedos, semi-encoberto por um jornal, o mesmo onde o falecido seria, provavelmente, parte do noticiário policial.

Foi um verdadeiro choque e o músico foi tomado por um horror que ainda não havia experimentado.
O baixista passou a sua infância no antigo bairro do Marapé, mais precisamente a umas duas quadras do famigerado “pé do morro” onde proliferavam os mais temidos bandidos da época. Havia presenciado cenas dignas dos melhores filmes de faroeste tupiniquim, mas, assassinato mesmo ainda não tinha visto.

E estava lá “o corpo estendido no chão” mais precisamente meio corpo calçada acima e pernas abertas para o leito carroçável. Nada mais que um punhado de putas e espectadores rodeavam o corpo que ganhava um efeito sinistro causado pela luz vermelha piscante do camburão preto e branco da polícia civil que se encarregava dos procedimentos de praxe.

Mas o rock and roll convidava para uma exploração mais profunda e isto requeria um pouco de coragem, pois, o ano de 1969 consolidava a entrada do rock da era Beatles no país e, invariavelmente, os navios traziam, além de mercadorias, os compactos e elepês dos grupos britânicos Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, The Who entre outros.

Assim, as boites das Bocas do Porto de Santos não eram só um pólo de diversão sexual para os marinheiros que formavam uma verdadeira Babel naquele trecho da cidade. Foi lá que os primeiros grupos de músicos iniciavam a revolucionária história do rock no Brasil, através da influência avassaladora da Beatlemania que trazia em sua esteira a sede os mais variados e hipnotizantes sons até então desconhecidos.

As noites das Bocas expressavam então, a profunda transição de estilo musical que antes se concentrava em um comportamento mais polido de músicos engravatados e que costumavam se apresentar também no lendário e igualmente especial Parque Balneário Hotel que existia na esquina da Avenida Ana Costa com a Praia, o qual, rendido a interesses comerciais, foi demolido para prejuízo irrecuperável da história da cidade.

Nesta época, o máximo da travessura musical se resumia ao rockabilly, que disputava, com fraqueza, espaço entre mambos, boleros e o samba de breque. Mas, como saídos de uma nave espacial alienígena, os “conjuntos” de rock começavam a invadir os bares e aos poucos, roubando a cena.

Os cabeludos causavam espanto àquela altura dos acontecimentos, mas os donos dos night clubs tiveram faro suficiente para sacar a preferência dos marinheiros pela agitação daquele som inovador. Pelo que se consta, um dos primeiros incentivadores da nova onda foi o “Seo Abel” do Oslo Bar que cedeu espaço aos Lovers, formado por Vigna, Velha, Carlinhos e Satanás.

Assim estava traçado o caminho do rock, sob a regência de um bando de jovens tidos na época como “transviados” cuja arte atraia marinheiros sedentos de diversão e sexo e as putas, sabiamente treinadas para torrar os dólares de seus clientes e ganhar comissões tentadoras.

Depois de curtir a noite embalada por suor, tabaco, bebidas alcoólicas, drogas e o som das guitarras ensurdecedoras, levavam suas presas para os hotéis pulguentos das cercanias e lá, terminavam o serviço. Muitos “gringos” como eram conhecidos os marinheiros, sob efeito de álcool e drogas, eram roubados ao final dos programas, mas registraram-se muitos casos onde se apaixonaram verdadeiramente pelas prostitutas, casaram-se e formaram família, no melhor estilo ”lavou tá novo”.

Os bares, ou night clubs, eram batizados segundo uma estratégia de marketing que parecia funcionar e, ao mesmo tempo, dava um toque cosmopolita à Boca Santista: Bergen, Suomi, Oslo, Zanzibar, Porto Rico, American Bar, Hamburg Bar, Akropolis, Casablanca, entre outros, com seus luminosos em neon a piscar eternamente na mente de quem por ali passou.

Naquela noite, nem mesmo aquele corpo estendido faria Bardhal recuar. O músico foi acompanhado pelos amigos Mário Serra (crooner), Acácio (percussão) e Flávio Ligadinho (bateria) de bar em bar para escutar o som de que tanto ouvia falar.

Bardhal foi arrebatado, literalmente, quando entrou no Hamburg Bar e viu aquele ambiente totalmente estranho e onde a luz negra causava um efeito fantasmagórico nos corpos que se moviam ao som ensurdecedor das guitarras elétricas e os vocais carbonados com maestria, ainda que num inglês irreconhecível.
Ficou parado na entrada, estupefato, narcotizado por cenas que jamais imaginara testemunhar. Era a magia das Bocas.

Naquela época o músico havia sido convidado para ser o baixista do grupo Paralelo 23, “título” que conferia trafegar pelo mundos das bandas (conjuntos) mesmo que sob o preconceitos dos grupos maiores e de mais prestígio, como Pop Six, Teenagers e pelo excepcional Black Cats ( Blow Up). Ou seja, Bardhal já ouvia muito rock da Era Beatles, mas ainda não havia experimentado aquele tipo de sensação de estar em um “outro mundo”, repleto de personagens de um conto surreal que misturava idiomas, costumes, sexo, drogas e rock and roll.

Não se pode explicar porque aquela onda chegou com tanta força, mas é inegável o arrebatamento de toda uma geração que se rendeu ao rock, principalmente o produzido na Inglaterra. Muitos jovens largaram seus estudos na tentativa se tornarem músicos. Buscavam a fama, dinheiro fácil e prestígio, sob influência dos astros do rock de então cujas vidas eram largamente exploradas pela mídia. A maioria se deu mal a julgar pela falta de condições culturais adequadas em um país que pouco sabe ou se interessa em incentivar seus talentos e também pela falta de interesse em estudar e estabelecer metas para suas carreiras. Alguns alcançaram seu objetivo por mérito, esforço e uma boa dose de sorte.

Na época, a maioria dos rapazes estavam interessados em mergulhar de cabeça no rock e, por conta disto, eram músicos e holders ao mesmo tempo; carregavam a aparelhagem, montavam, tocavam com fervor, desmontavam, carregavam e descarregavam.

Os equipamentos de então, ainda que escassos, eram robustos e pesadíssimos como os Tremendões e True Reverbs, da Gianinni, para guitarras e os acanhados Phelpas “pirulito” que os músicos usavam para a voz, antes da própria Gianinni lançar os “ musts” A100, A200 e A300. Verdadeiro exercício de força física e de vontade.

Chegavam em casa junto com o Sol, quando não com chuva, mas sem reclamar e satisfeitos por “estrelarem” naquele admirável mundo do novo rock. Bardhal começou a trabalhar muito cedo e, desde o início, percebeu que viver como boêmio, não combinava com a sua personalidade.

E foi assim que se apaixonou pelo rock, pela noite e pelas Bocas, sem no entanto deixar de ser comportado, caretão. Um amor que venceu as décadas e que permanece até hoje, quando, curiosamente, reencontra alguns amigos daquela época de ouro e, fantasticamente, volta ao palco, resgatando uma parte das emoções de uma das mais lindas páginas da sua vida, o rock and roll.

Aos poucos o baixista se tornou querido pelos músicos e chegou até a receber ofertas de consumo gratuito do “Seo Júlio” um português de bigodinho estilo Clark Gable que gostava da sua voz e do seu jeito de animar os gringos.


FOTOS: De cima para baixo... 1)Véia,Vigna e Ricardo no Microfonia - Santos, 1971 ...2) Bardhal em ação

Blog Rock Santista começa a mostrar sua cara

Hey Rockers...confiram a coluna do meu amigo jornalista, André Azenha, no site Dynamite. O tema? Rock Santista...vá lá e comente. Essa semana tem a banda Keyth e o meu blog nos destaques.
Valorize sua cidade e acompanhe o trabalho dele, também.
Fui!!!

http://www.dynamite.com.br/portal/view_coluna_action.cfm?id_colunista=47&id_show=1151#

terça-feira, 6 de março de 2007

Anos 60/70 - Rock das Bocas x Rock dos Clubes

Enquanto eu trabalhava com os capítulos dos anos 80, 90 e 00, um conhecido do meu pai, apareceu no orkut com muitas histórias interessantes sobre o início do rock santista. Com um belo texto, rico em detalhes e muita disposição para escrever, não pensei duas vezes, chamei Bardhal, um dos grandes roqueiros da década da beatlemania para me ajudar no projeto. Uma prévia da ajuda dele vocês podem conferir abaixo.
Lucas Krempel

Amava os Beatles e os Rolling Stones

Texto: Bardhal

Muito se fala sobre a radical influência que o Rock and Roll, da era “Depois dos Beatles”, teve na cultura dos anos 60 a 80 no Brasil.


Como um “dinossauro do rock” posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que não sou apenas uma testemunha ocular desse acontecimento, como também vivi, na pele de músico amador, os efeitos desta incrível onda iniciada pelos quatro rapazes que mudaram definitivamente a história e o destino de Liverpool. E do mundo.


Lembro-me que no final dos anos 50 e até o início da década de 60, a moçada requebrava as cadeiras ao som de Elvis Presley, Bill Halley, Chubby Checker, Beach Boys, Dell Chanon, Don Taylor, Triny Lopez entre outros.


Ray Conniff e Herb Albert & Tijuana Brass completavam o menu que embalavam os bailinhos onde as meninas ainda usavam cabelos armados (colocavam bombril e laquê pra dar volume) e saias compridas de estampado berrante. Tecido de bolinhas e lenço na cabeça era o “must”, tendo cinturas sufocadamente afinadas por cintos de grandes fivelas, óculos tipo “gatinho”, meia soquete e, é claro, os chicletes. Ronnier Cord subia a Rua Augusta a 120 km por hora e o biquíni amarelinho ainda era um “desbunde“.


Mas, de repente, tudo começou a mudar, muito rapidamente, quando quatro rapazes invadiram o mundo com seus cabelos em cuia, terninhos bem talhados, botinhas de salto alto e, logicamente, uma cabedal de músicas que, além de soar muito bem aos ouvidos, tinha um poder mágico de arrebatar sentimentos, de redirecionar caminhos. Tinha algo realmente novo no ar.
Abduzidos por aquele som totalmente inovador e atrativo, os garotos da minha época inventaram um novo inglês.


Lembro-me ainda de Love me Do e She Loves You (yeah,yeah,yeah) estourando nas rádios e conquistando a molecada de forma endêmica. Era a febre, a Beatlemania. Nos cadernos de música, virava “Lóvmi Dú” ou “Chilóziu” numa língua tão estranha que deixaria Champolion com cara de pateta, tal o grau de incompreensividade. Mas o que importava era o som, o balanço, a onda.

Santos incorporou um certo clima de Liverpool

A cada esquina dos bairros de Santos e São Paulo, principalmente, começavam a se formar os “conjuntos” que tentavam, a qualquer preço, imitar os Beatles.


Afora detalhes que posteriormente vou contar, como por exemplo, a dificuldade de se conseguir instrumentos musicais, um detalhe interessante deve ser considerado nisto tudo: Por onde teria entrado, afinal, o Rock and Roll da era P.B (Post Beatles?).


Pelo Porto de Santos, é claro! Não sei se por uma química mágica ou por fatores que incorporam uma certa semelhança desta cidade portuária com Liverpool: cidade portuária com direito até ao “fog” que, vez em quando, deixava as silhuetas e os neons um tanto sobrenaturais.

De uma coisa estou certo: Pelo Porto de Santos, os navios não trouxeram somente mercadorias. Em meio aos pallets de então (containers estavam em fase de projeto), o rock and roll veio de “carona”, pelas mãos dos marinheiros que, através do contato com os músicos barulhentos das Boites das Bocas do Porto, que começavam a botar para escanteio a geração “bolero”, traziam discos de vinil e instrumentos.


É lógicos que as rádios tiveram papel fundamental, mas eu diria que o epicentro do terremoto do Rock, a verdadeira contaminação cultural, entrou mesmo pelo porto e seguiu caminho, em primeiro, pelos inferninhos das Bocas, tais como Bergen Bar, Zanzi Bar, Suomi, Hamburg Bar, Oslo Bar entre outros, que pelos próprios nomes de batismo deixava claro qual o público-alvo.


Não se pode esquecer dos proprietários dos bares, como o Seo Abel, Alvo Abdalla, Seo Julio e Augustinho, Vadão, Oscar, entre outros, que cederam espaço aos músicos, dando início ao redesenho cultural da época.

BEATLES E ROLLING STONES

Interessante efeito aconteceu na cidade à medida em que, perto do final dos anos 60, começaram a pipocar outras bandas de rock inglesas como Hollies, Led Zeppelin, The Who e os Rolling Stones, principalmente.


Do lado americano, Jimmy Hendrix, Jefferson Airplane, Deep Purple e o canadense Rush, sob meu ponto de vista, foram as únicas contribuições de peso ao rock mundial de então. Tínhamos pérolas como Simon & Garfunkel, Emmerson Lake & Palmer, mas algo mais comportado. Aqui eu falo de “pauleira”.


Na verdade, a poderosa máquina de produzir rock and roll, vinha mesmo das terras Vitorianas.
Mas o efeito de que falo refere-se à inegável influência dos “bonzinhos “ Beatles, e dos “sujos e malcriados” Rolling Stones, capitaneados por Mick Jagger, sobre aquela geração de músicos.


Muito interessante: enquanto bandas da orla como Black Cats ( Blow Up), Pop Six, New Zago, Stylo Set, Phase, Teenagers entre outros, incorporavam uma filosofia “Beatle”, os meninos lotados nas boites das Bocas assumiram uma postura Rolling Stone, provavelmente porque estes falavam diretamente à um universo de prostituição, fumo, álcool, incerteza, sofrimento e muita revolta.


Então forma-se a “banda podre“ do rock santista, mas nem por isso de baixa qualidade musical. Ao contrário, os músicos do baixo clero eram exímios e aprendiam na prática. Na verdade, a “pegada” das bocas tinha algo de diferente, profundo e de lamento, ao passo que os meninos da “banda limpa” eram donos de um som cristalino, mavioso e bem comportado. Igualmente excelente.


Tive sorte de viver os dois, em perfeito equilíbrio. A partir dos 17 anos, em grandes temporadas nas Bocas como “ free Singer”, fiz amizades com músicos excelentes, como Vigna, Gennaro Ricardo, Zito, Lello, Jackson Satanás entre muitos outros. Mirão, Tony, Lory e Rico foram os “fab four” das Bocas que melhor incorporaram a entidade Rolling Stones, formando o inesquecível quarteto Union Beat, sem nenhum questionamento, uma das melhores bandas que o Brasil já viu, em se tratando de Rock and Roll. Se não foram mais conhecidos, é porque esbarraram no preconceito pelo fato de serem músicos de “puteiro” e porque a mídia sempre manteve uma postura medíocre em relação aos verdadeiros valores santistas. Tanto o é que, mesmo sendo celeiro de grandes talentos, apenas muito poucos conseguem a merecida projeção. Pior: isto continua até nossos dias, quando o “marketing” se sobrepõe ao talento.

Mas voltemos à Rua João Octávio, numa certa noite do final dos anos 60 quando os inferninhos ferviam sob o som das guitarras dos nossos “Stones”.
Invariavelmente a fumaça de cigarros era comum a todas e, vez em quando, devido ao exagero na bebida e drogas, “estourava” um “pau” que sempre era acalmado, após narizes quebrados e putas feridas, pela PE ( Polícia do Exército), os “récos” como eram chamados.


Eu mesmo, certa vez, testemunhei um “racha” destes, no Hamburg Bar, entre Alemães e Coreanos, digna de verdadeiros gladiadores. Atrás do palco, lembro-me, havia uma quartinho, espécie de camarim do inferno, onde os músicos descansavem e faziam malcriações nos intervalos. E foi pra lá que eu corri à primeira garrafa que estourou na parede do palco. Fui seguido pelo Satanás (Guitarra), Tico( bateria) e pelo Lello ( baixo) e, de lá, ouvimos nada menos que uns 15 minutos de pura pancadaria. Quando a P.E finalmente baixou a poeira, lembro de ter visto gente caída no chão, rostos ensangüentados e gringos tomando borrachada da polícia.

Parecia obra de seguidores de Bin Laden, no melhor estilo homem-bomba: o bar estava completamente destruído; para se ter uma idéia, um banco fixo ao chão havia sido arrancado por um marinheiro coreano para ir repousar no meio dos cornos de um marinheiro alemão.

AS GRANDES DIFERENÇAS

E assim, neste panorama dantesco, as diferenças se contrapunham entre as bandas “dirties” das bocas e as “polites” da orla. Enquanto as primeiras tocavam para um público formado por marinheiros, putas, travestis e cafetões, as segundas embalavam os bailes que os clubes chiques da orla marítima promoviam para seus jovens de classe alta e média-alta, abastados comerciantes e autoridades.


Nesta época, eu freqüentava os dois mundos: dava canjas nas Bocas e tocava nas domingueiras do Internacional com a banda Fire Emotion formado por Luiz na bateria, Ronaldo Rodrigues na guitarra base ( este cantava pra caralho e não ficava devendo nada a David Gates) Lourival Bilú Crooner, eu, este dinossauro que vos fala, no Baixo e vocais, e no lead guitar, nada menos que Roberto Shyniashiki, com sua Vox vermelha que infernizava os vizinhos, hoje famoso escritor de auto-ajuda.


Bailes no Saldanha, Atlético Santista e principalmente o Clube Internacional eram exemplos destes eventos recheados de bom comportamento e onde, ao menor sinal de “fumaça”, a S.W.A.T entrava em ação. Inaceitável!
No “Poor side of the town”, no entanto, a coisa era bem diferente, bem mais suja.

O “BEM” E O “MAL” DIVIDINDO ESPAÇO

Certa vez pude vivenciar esta grandes diferenças, num raríssimo encontro entre o Bem e o Mal: no Vasco da Gama, numa domingueira, duelaram Blow Up e Union Beat. Ali, pelo menos para mim, ficaram claríssimas as grandes diferenças, não só a partir do repertório de cada uma das bandas, como também do comportamento de seus componentes.


Notei, o jeito esculhambado e sarcástico do Union Beat onde roupas e cabelos agrediam os olhos e os músicos gesticulavam, falavam audíveis palavrões, fumavam e cuspiam no palco. Isto não se verificava no Blow Up, cujos componentes eram visivelmente asseados, comportados, e de gestos elegantes. Eram meninos de boa família, enquanto os outros, cães-sem-dono vindos não sei de onde e que se encontraram nas Bocas, apenas atraídos pelo rock and roll.


Não houve vencedor porque, indiscutivelmente, ambos, como já citei, eram excelentes, ainda que de “estirpes” diferentes e, mantendo suas díspares características, brindaram o público hipnotizado, com o melhor do rock de então.
Uma noite inesquecível onde, ao final, não se saberia bem a quem idolatrar. O Bem ou o Mal, o limpo ou o sujo. Na dúvida, ficamos com os dois!

Bardhal
Em homenagem aos músicos Santistas das décadas de 60 a 80

FOTOS: Arquivo pessoal do Vigna

domingo, 4 de março de 2007

1994 - M2000 Summer Concerts - O tênis que realizou o sonho dos santistas

Evento patrocinado por marca de tênis trouxe grandes nomes internacionais para a praia do Gonzaga

Texto: Roberta Dantas

O M2000 Summer Concerts, festival de música itinerante patrocinado por uma marca de tênis famosa nos anos 1990, transformou Santos em capital do reggae e do rock por um dia. O circuito na região foi dividido em duas etapas, em janeiro e fevereiro de 1994.

A primeira edição atraiu mais de 180 mil pessoas de várias tribos. Hippies, mauricinhos e patricinhas disputavam um espaço perto do palco para curtir bandas como a estreante Chico Science e Nação Zumbi, Cidade Negra, Gabriel O Pensador, os internacionais Three Walls Down, Chaka Demus e Pliers, Shabba Ranks, Fito Paez e Inner Circle.

O clima rastafari foi totalmente incorporado pelo público que curtiu o balanço do reggae das 19 às 3 horas da manhã, abastecidos com muita cerveja e alegria, espalhando uma aura de confraternização como prega o ritmo jamaicano.

Só não dançou quem não quis ou quem ficou com medo de tirar os pés do chão e ficar flutuando o resto do show por falta de espaço. Não era difícil notar a imensa onda humana criada pelos pais, filhos e avós que balançavam seus dreads ao som de músicas como, Sweet (A La La La La Long), lembrou?


Agora a história é outra

O festival muda de cara na segunda etapa (dia 4/02), os dreads, as roupas coloridas e o clima ‘não to nem aí’ saem para dar espaço a um som mais forte, o rock, que vem acompanhado de seus seguidores vestidos dos pés a cabeça de preto e com atitudes mais agressivas que seus companheiros do reggae.

Dessa vez, cerca de 100 mil pessoas lotaram a praia do Boqueirão para prestigiar o último dia de show. As bandas Lemonheads, Dr Sin, Os Raimundos, Mr. Big, Rollins Band e Débora Blando, (O quê? É ela mesma?) agitaram o público e a energia foi tanta que muita gente desmaiou e precisou ser socorrida. Mas, quem não caiu por um problema de saúde ou foi nocauteado por alguma briga, balançou freneticamente a cabeça até o final, ou melhor, até o fiasco que foi a apresentação da cantora Débora Blando.
Alguém consegue imaginá-la cantando Decadence Avec Elegance para um público formado só por fãs de hard core e hard rock?

Não deu outra, os mais sóbrios brincaram de tiro ao alvo arremessando latas e garrafas de água na cópia pirata da Cindy Lauper brasileira. Não satisfeitos, entre xingos e palavrões ainda balançaram o ônibus que levava a cantora. Dizem que ela acorda assustada e chorando até hoje, por causa do episódio.

Para compensar, as bandas Mr. Big e Rollins Band realizaram um verdadeiro espetáculo de rock.
O vocalista Henry Rollins, da Rollins Band, logo no início de sua apresentação, se empolgou e, acidentalmente, bateu com o rosto no próprio joelho, o que lhe rendeu um profundo corte. Mesmo com o sangue escorrendo e com sua performance agressiva ele foi ovacionado pelo público que repetiu a dose causando o maior índice de brigas do festival, dando trabalho para a Polícia Militar.

De qualquer forma, o M2000 Summers Concerts foi um dos maiores festivais internacional de música de 1994 no Brasil, junto com o Hollywood Rock, que trouxe Aerosmith, Poison, Robert Plan entre outros nomes para São Paulo e Rio de Janeiro.

FOTOS: CARLOS MARQUES / A TRIBUNA

ENTREVISTA – RUI PANTERA (Locutor de rádio)

Uma das principais figuras do rádio em Santos, Rui Braz, mais conhecido como Rui Pantera, já brigou, revolucionou, virou alcoólatra, recuperou-se, lançou livros de auto-ajuda, foi dado como morto depois de um acidente automobilístico, e hoje, vivendo no Sul do Brasil fala um pouco sobre seus momentos na comunicação de Santos. Não foi possível conseguir fotos do locutor na rádio, pois ele se desfez de todas. O argumento para isso é que o material fotográfico o deixava triste por estar longe dos amigos.

Como foi seu começo no rádio?
Em 1972 - Desde garoto, apaixonado por rádio, sempre participando de programas dos seis aos 10 anos de idade por telefone em rádios AM, aos 10 já tinha certeza de que seria esta minha profissão: Radialista. Entrei, aos 13, numa AM como office boy e rapidinho me tornei sonoplasta. Com 17 já apresentava programas em AM. Nunca mais saí de rádio, graças a Deus.

E o seu primeiro contato com o rock?
Aos 13 já ouvia LPs dos Beatles, Rolling Stones, Creedence Clearwater Revival, Jimmy Hendrix, etc.

Como foi criar um sebo na cidade? Quanto tempo ele sobreviveu?
Cheguei em Santos em 1982. Comecei na Cultura FM. Subia e descia a serra toda semana, pois já era rato da Baratos Afins e Sebo de Elite (lojas de discos, em São Paulo). Pensei: "Santos tem tanto roqueiro(a). Por que não?"

Quais eram a dificuldades na época para se trabalhar com isso?
Muitas. Encontrar ponto onde pudesse rolar pelo menos alguns decibéis sem que o vizinho se incomodasse com o barulho. Encontrei a galeria na Avenida Mal Floriano Peixoto. A loja ficava num local nada "Mauricinho", o que considerava perfeito, pois tanto eu como a garotada que freqüentava a loja odiávamos os filhinhos de papai freqüentadores de Shoppings. (Risos).

Quais bandas de rock de Santos, que você considerava mais importante na década de 80 e 90?
Como Johnny Hansen, grande amigo, trabalhou comigo na loja, gostava muito de ouvir a banda Bi-Sex (dele), mas pela nossa grande amizade. Hansen odeia falar dessa banda. (risos). O vocal era excelente: A irmã dele. (risos) A banda era afinadíssima, mas o "galo", apelido do Hansen, considerava muito comercial para o gosto dele: O galo era PUNKAÇO. E ainda é. Lá na Pedro Lessa tinha um bar onde rolava altos sons de bandas de punk rock, mas como a gente sempre estava bêbado, nem me lembro dos nomes. Tinha muito cara inteirado lá.

Como foi seu relacionamento com essas bandas?
Sempre tive ótimo relacionamento, embora eu trabalhasse na Cultura FM, rádio comercial, popular, mas os ouvintes sabiam da existência da minha loja e sabiam também da minha preferência por rock, tanto que nunca fui discriminado ao entrar para 95 FM - A Rádio Rock. Trabalhei também na 98 FM - Ilha do Sol (era só rock) e ainda na Enseada FM (Rock). Sempre fui muito bem tratado nas rádios rock, mesmo tendo trabalhado bem mais tempo em rádios comerciais, apresentado trocentos shows populares na praia, etc. Também apresentei vários shows de rock no saudoso Heavy Metal, ali no canal 3, no Caiçara Music Hall, as duas casas do Toninho Campos, grande amigo e dono da Cinemas de Santos, roqueiro de respeito.

Sei que você foi um cara fundamental na inserção de bandas da região nas rádios locais. Como isto aconteceu? Você se recorda as datas que aconteceram? Em quais rádios tocavam e o que era tocado?
Eu sempre dei atenção total aos meus amigos, em especial aos apaixonados por música. Ouvia tuuuuudo que era fita demo e nesses anos era fita cassete mesmo, às vezes essas porras enrolavam. (risos). Ficava eu emendando com durex, enrolando com caneta bic, mas sempre dava um jeito de ouvir a molecada nova. Algumas bandas, cujo nome não me recordo, chegaram a gravar LPs, mas os integrantes não tinham tempo pra viajar e fazer divulgação. Então a coisa ficava restrita mesmo ao litoral, o que já agradava muito os ouvintes, freqüentadores de casas noturnas com música ao vivo, etc. As bandas que eu ouvia e decidia pôr na programação, eram inseridas em playlist da Cultura mesmo e quando trabalhava em outras rádios onde não era eu o coordenador, sugeria a inserção da banda e meu endosso era sempre bem aceito pelos coordenadores, sempre confiantes em meu ouvido aguçado e experiência em rádio.

Qual foi o papel das rádios no cenário rock n´ roll de Santos?
As rádios, antes da chegada da 95 FM, tiveram excelente participação ao tocar o que o Brasil inteiro tocava: Blitz, Paralamas, Ira, Radio Taxi, Kid Abelha, aquela merda do RPM e muitas outras bandas. Algumas boas, outras horríveis. E as rádios, mesmo as comerciais, aderiram à New Wave, rolando B52's, Devo e aquela porrada de gente com cabelo pintado e o caralho. (Risos).
A discoteca Zoom gerava fila que chegava na Choperia Galle, outro point do Gonzaga que vivia lotadaço. Com a chegada da 95 FM, na fase 100% rock, brilhantemente coordenada por Cleber Celino, o rock em Santos tomou um rumo mais maduro, com programação voltada somente para roqueiros mesmo, sem chance para pára-quedista. Rádios sempre tiveram sua dose de participação no cenário do rock em Santos, mesmo as comerciais, pq pelo menos divulgavam notas sobre movimentos, eventos, divulgavam shows e a galera mesmo digerindo os bregas e pops, ouviam as comerciais de olho no fim de semana, quando se apresentavam as boas bandas pelo litoral.